Categorias
Blog Textos

Toda a nova geração quer matar a música da geração anterior

Todas as gerações tem as “suas músicas”… e todas as as gerações anteriores querem acabar com elas.

A única constância na música é que nada é constante na música. Os gostos vão mudando de geração em geração, com novos gêneros surgindo e desaparecendo num ciclo sem fim.

50 anos atrás, The Supremes lançou o último álbum contando com Diana Ross. Convencionalmente tendemos achar que como Diana Ross fez um estrondoso sucesso na carreira solo os The Supremes desapareceram, certo? Errado. Eles continuaram produzindo hits e lançaram 11 álbums nos sete anos seguintes. A banda apareceu na capa da revista The Saturday Evening Post em 1967, onde o jornalista musical Alfred Aronowitz estava considerando a suspeita de que as gerações anteriores desdenhavam da músicas das novas gerações.

É ainda mais curioso que você se dá conta de que Aronowitz foi a pessoa que introduziu os Beatles a Bob Dylan pessoalmente em 1964. Ele estava no meio do que acontecia. Aronowitz sugeria que os Beatles estavam quase acabados para a música e ainda assim eles sequer haviam lançado Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band que nos deixou mais músicas imortais. Algumas de suas observações à época pareciam “choronas” demais para um escritor musical que tinha apenas 39 anos.

O tumulto sônico dos anos 70 com o nascimento do disco, hip-hop e do punk, além do crescimento do heavy metal, vários sons se misturavam entre os adultos e os adolescentes mais velhos. Os jovens dos anos da era do rock 60′ estavam tendo filhos agora e uma divisão geracional estava acontecendo entre The Stones e The Clash ou entre The Temptations e The Sugar Hill Gang. Vamos estabelecer que as pessoas não gostavam de ambos, era apenas que cada geração tinha seus escolhidos.

O próximo evento sísmico aconteceu em 1981 quando a MTV foi lançada. A nova influência das bandas britânicas ajudadas pelo formato de video clipe que já acontecia no Reino Unido há alguns anos catalisaram a divisão geracional entre os pais “boomer” e as crianças da geração X. De um certo modo, a divisão causada pela MTV nos deu uma previsão do que seria a fragmentação cultural futuramente.

Com a chegada de cada vez mais canais nos pacotes de tv a cabo, os eventos culturais pop aconteciam diretamente na tela. Superbowl, Friends, ER foram um grande sucesso nos anos 90 e a divisão parental crescia cada vez mais. Só porque seu pai gostava de Led Zeppelin, não era garantido que ele gostasse de Slayer, mesmo que ambos venham da mesma árvore genealógica musical.

Mas nada mudou a música mesmo como aconteceu no século XXI com o advento do digital. A internet democratizou o processo de escolha de gênero musical e estavam todos ao alcance do teclado. Isso fez com que proliferasse músicas de idioma espanhol, artistas coreanos, metal sueco ou mesmo iconoclastas como Lana Del Rey. A audiência está lá para todos.

Mas o que isso significa para a música pop? É o máximo em termos de conteúdo. O uso de uma música antiga em um filme pode levar ela aos topos das paradas novamente como aconteceu com “Immigrant Song” do Led Zeppelin que apareceu no filme Thor: Ragnarok. Ao mesmo tempo é uma bagunça musical, mas uma bagunça boa. Milhões de pessoas podem se conectar a qualquer album ou a uma biblioteca infinita de músicas de diversos gêneros e mais e mais os jovens tem acesso as músicas de outras gerações.

É difícil dizer para onde a música vai na próxima década, a única certeza que pode ser dita é que um jovem vai achar uma música nova o máximo enquanto seu pai dirá para ele baixar o volume.


Texto original escrito por Troy Brownfield no Saturday Evening Post.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *